O Brasil já tem tudo o que precisa para se posicionar como uma potência socioambiental global e a Conferência de Mudanças Climáticas da ONU (COP30) é uma oportunidade sem precedentes.
É o que revela um novo estudo pioneiro encomendado pelo Conselho de Desenvolvimento Econômico Social Sustentável (CDESS), formado por lideranças da sociedade civil.
A pesquisa reúne as perspectivas de 90 líderes e pesquisadores e de mais de 3 mil brasileiros de diversas regiões do país para refletir sobre como o país se enxerga e os caminhos para se tornar mais coeso e influente, tanto no cenário nacional quanto internacional.
Há uma mudança significativa de percepção em curso: a visão do Brasil como um eterno “promissor” começa a dar lugar a uma postura de ação, como uma liderança real e com vocação para o protagonismo.
Segundo os pesquisadores, o “complexo de vira-lata” passa a deixar de existir, após décadas de uma imagem brasileira atrelada a uma nação atrasada e marcada por dificuldades estruturais.
A crescente valorização da biodiversidade brasileira e do território nacional, somada à importância da Amazônia, reflete essa nova visão. Pela primeira vez, o bioma se destaca como o principal símbolo da identidade brasileira, ultrapassando o Rio de Janeiro, o que revela um aumento na conscientização sobre o papel brasileiro agenda ambiental e climática do mundo.
COP30, oportunidade de ouro
Pela primeira vez em solo brasileiro e no coração da Amazônia, a COP30 em Belém do Pará é apontada como um marco crucial para o país.
O maior evento de clima do mundo é visto como uma janela para que o Brasil se posicione de maneira firme como líder em governança climática e soluções verdes que também possam ajudar a responder desafios comuns — como a transição energética e a economia de baixo carbono.
Jeanine Pires, conselheira do CDESS e integrante do grupo de trabalho responsável pelo estudo, destacou: “O mundo está buscando modelos de desenvolvimento sustentável e nós temos todas as credenciais para liderar essa transformação de maneira autêntica e eficiente”.
As 18 áreas de excelência
A análise também identifica 18 áreas nas quais o Brasil já é uma referência global. Os destaques são: biodiversidade, democracia, ecossistemas de startups, matriz energética limpa, agricultura de baixo carbono e biocombustíveis.
Todas são vistas como espaços de excelência que podem ser ampliados para fortalecer a imagem internacional do país. Confira:
Biodiversidade – O Brasil é um líder global em biodiversidade, especialmente com a Amazônia, desempenhando um papel crucial na preservação ambiental.
Matriz energética limpa – Uso de fontes de energia renovável, como hidrelétricas, eólicas e solares, fundamentais para a transição energética.
Agricultura de baixo carbono – A adoção de práticas agrícolas que reduzem as emissões.
Biocombustíveis – Pioneirismo no uso de biocombustíveis como etanol e biodiesel, o que coloca o país como líder em soluções energéticas sustentáveis.
Ecoturismo – Uma enorme capacidade de explorar seu patrimônio natural de maneira sustentável, atraindo turistas interessados em natureza e preservação.
Minerais críticos para a transição energética – A mineração de minerais essenciais, como lítio e nióbio, é fundamental para a transição para uma economia de baixo carbono.
Democracia – A governança democrática pode contribuir para políticas públicas sustentáveis.
Políticas públicas – Ajudam a promover o desenvolvimento sustentável, como as que regulam o meio ambiente e a economia verde.
Empreendedorismo social – Muitos empreendimentos sociais no Brasil focam em soluções de impacto positivo para comunidades carentes e desafios sociais.
Ciência – A pesquisa científica pode impulsionar inovações tecnológicas voltadas para a sustentabilidade e a preservação ambiental.
Design – O design sustentável está se tornando cada vez mais relevante, com soluções criativas para reduzir impactos ambientais.
Gastronomia – A gastronomia pode ser ligada à sustentabilidade, com práticas alimentares mais conscientes e apoio à agricultura sustentável.
Artes e cultura – Promovem a conscientização sobre questões ambientais e sociais.
Ecossistema de startups – Diversos pequenos negócios focados em inovação e tecnologia, com algumas voltadas para soluções ambientais e sociais.
Tecnologias financeiras – Embora principalmente voltadas para o setor financeiro, algumas fintechs podem promover soluções de financiamento para iniciativas sustentáveis.
Setor aéreo – Práticas de aviação com baixo impacto ambiental e uso de combustível sustentável (SAF)
Movimentos sociais – Protagonismo na agenda ambiental e de justiça social que está alinhada com os objetivos de sustentabilidade da ONU.
Esportes – A indústria tem adotado práticas mais sustentáveis, com eventos e infraestrutura focados em minimizar os impactos.
Entre os pontos-chave para o futuro, o estudo propõe algumas diretrizes, como: ativar o território de posicionamento da sociobiodiversidade, fortalecer narrativas estratégicas e reforçar o papel do país como mediador.
Além disso, investir em uma estratégia nacional de comunicação alinhada com as demandas desta geração. Marcel Fukayama, CEO da Din4mo, destacou a importância de aliar as decisões políticas com as necessidades da população e os desafios globais.
“O estudo não é apenas um exercício de marketing. Ele é um chamado à ação, para que o Brasil rompa com as narrativas limitantes do passado e se afirme como líder global”, finaliza Victor Cremasco, CEO da Mandalah, também participante do estudo.
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