A retaliação da China ao plano tarifário dos Estados Unidos impulsionou o dólar ante moedas emergentes, com a crescente preocupação de uma guerra comercial e os seus possíveis impactos para a economia mundial.
Nesta sexta-feira (4), dólar à vista (USDBRL) encerrou as negociações a R$ 5,8350, com alta de 3,68%.
O movimento acompanhou a tendência vista no exterior. Por volta de 17h (horário de Brasília), o DXY, indicador que compara o dólar a uma cesta de seis divisas globais como euro e libra, subia 0,94%, aos 103.012 pontos.
Na semana, o dólar acumulou alta de 1,27% ante o real.
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O que mexeu com o dólar hoje?
As tarifas de importação dos Estados Unidos seguiram elevando o temor de uma guerra comercial global e o risco de recessão da maior economia do mundo. Nesta sexta-feira (4), a China anunciou uma tarifa de 34% sobre a importação dos produtos norte-americanos, que começa a valer na próxima quinta-feira (10) — um dia após a tarifa de 34% dos EUA contra a China entrar em vigor.
A medida foi uma retaliação à tarifa de 34% sobre importação de produtos chineses nos Estados Unidos, imposta pelo presidente Donald Trump na última quarta-feira (2). A tarifa se somou a uma taxa anterior de 20%, que entrou em vigor no mês passado — elevando o total de novas taxas para 54%.
“Com novas retaliações às tarifas dos EUA, como a aplicação de tarifas adicionais pela China às importações americanas, o cenário cada vez mais aponta para uma desaceleração e uma possível recessão no país, o que impacta o ambiente global”, afirma Paula Zogbi, gerente de Research da Nomad.
A moeda também reagiu às declarações do presidente do Federal Reserve (Fed), Jerome Powell. Ele afirmou que as tarifas de Trump são “maiores do que o esperado”.
“Enfrentamos uma perspectiva altamente incerta, com riscos elevados de aumento do desemprego e da inflação”, disse Powell. “Embora seja altamente provável que as tarifas gerem pelo menos um aumento temporário na inflação, também é possível que os efeitos sejam mais persistentes.”
O mercado ainda repercutiu, ainda que em segundo plano, novos dados do mercado de trabalho dos EUA. O relatório oficial de empregos, o payroll, apontou a criação de 228 mil vagas de emprego em março, acima das expectativas do mercado de 137 mil vagas. A taxa de desemprego foi de 4,2%, enquanto o número de desempregados fechou março em 7,1 milhões. A expectativa, entretanto, era que essa taxa seguisse em 4,1%.
“Apesar de certa resiliência demonstrada pelo mercado de trabalho, a divulgação dos dados de hoje teve impacto limitado nos índices acionários americanos. O mercado segue aumentando suas projeções para a possibilidade de recessão nos Estados Unidos”, afirma Danilo Igliori, economista-chefe da Nomad.
Após os dados, os agentes financeiros começaram a precificar pelo menos quatro cortes de juros pelo Fed neste ano, com a expectativa de que o Banco Central dos EUA terá que atuar para tentar evitar uma recessão. Antes do anúncio de Trump, a projeção era de apenas duas reduções na taxa. Hoje, os juros estão na faixa de 4,25% a 4,50% ao ano.
Já no cenário doméstico, os investidores reagiram aos novos números da economia. Entre eles, a balança comercial registrou um superávit de US$8,155 bilhões em março, uma alta de 13,8% sobre o saldo apurado no mesmo mês do ano passado, segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC).
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