Uma empresa britânica decidiu cuidar de um paciente inusitado para tentar frear epidemias. Em vez de fornecer tratamento para seres humanos doentes, criou um “remédio” para impedir que o mosquito aedes aegypti, transmissor da dengue, desenvolva esse e outros vírus.
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A fórmula é da Oxitec, multinacional inglesa de biotecnologia. O grupo colocou no mercado o Sparks, um produto que promete tratar a doença antes mesmo de ela chegar aos humanos. O produto impede que o Aedes aegypti desenvolva os vírus das três doenças transmitidas por ele que mais preocupam as autoridades de saúde: zika, chikungunya, febre amarela urbana e, claro, a dengue.
Como o remédio do mosquito acaba com a dengue
O funcionamento se dá por meio de uma bactéria com o nome de wolbachia. Comum na maioria dos insetos, ela não existe naturalmente no aedes aegypti. Quando introduzida no mosquito, impede o desenvolvimento das quatro doenças.
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A lógica é simples: o mosquito só transmite a doença se estiver contaminado. Quando está sadio, não representa ameaça à saúde humana. A abordagem pode trazer alívio para locais com dificuldade de conter a disseminação, como, por exemplo, o Brasil.
Não por acaso, a multinacional anunciou que ampliará a produção na fábrica brasileira. De acordo com o jornal Folha de S.Paulo, a unidade fica em Campinas, no interior de São Paulo.
O Sparks não é o primeiro produto da Oxitec criado para ajudar no combate às doenças transmitidas por esse inseto. A empresa também é responsável por uma solução conhecida como Aedes do Bem — que apresenta uma abordagem diferente da convencional.
Aedes do Bem
O Aedes do Bem é um mosquito da dengue geneticamente modificado — é exemplar macho criado em laboratório pela Oxitec para ser solto na natureza. Ele se reproduz com fêmeas selvagens, mas a modificação genética impede que as filhotes fêmeas passem da fase larval — ou seja: elas morrem antes de criar asas, voar, reproduzir-se, picar e entrar no ciclo de transmissão. E como os machos não picam, simplesmente não transmitem doenças.
A solução já se mostrou eficaz. Testes indicam que o inseto geneticamente modificado reduziu a população do transmissor em até 96%. Mesmo com essas ferramentas, porém, ainda há registros de contaminações em massa.
Nos três primeiros meses de 2025, o Ministério da Saúde registrou 856 mil casos prováveis de dengue. Entre os doentes, pelo menos 526 morreram, mas esse número pode ultrapassar mil, uma vez que 712 mortes ainda estão em investigação.
Além disso, as contaminações levaram à morte de mais de 6 mil pessoas no país em 2024. No mesmo ano, o Brasil registrou 6,6 milhões de casos prováveis de dengue.
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